segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Resenha - Johnny Depp

Livro: Johnny Depp
Autor: Danny White
Editora: Best Seller


Carismático, talentoso, reservado.
Louco? Rebelde? Cheio de manias.
Quem alguma vez na vida não teve vontade de gritar:
"PARA O MUNDO QUE EU QUERO DESCER!!!"?
Johnny Depp não tem vontades, ele faz, ele grita e pense o que quiserem.

"Por que não posso ser humano? Tenho muito amor dentro de mim, e muita raiva também. Se amo alguém, então amarei esse alguém. Se estou com raiva e preciso descontar ou bater em alguém, vou fazer isso, e não estou nem ai para as repercussões." (Johnny Depp)

Acompanho a carreira de Johnny desde Anjos da Lei, sua primeira série televisiva e o que o alçou ao sucesso em Hollywood. Acompanhei todo o seu desenvolvimento como galã de Hollywood, título que ele não gosta, até se tornar o grande ator que é hoje.
Excêntrico?
Pode ser pra quem gosta de rotular as coisas e/ou pessoas, mas Johnny não se rotula, ele é quem é, nada mais que isso.

Engraçado, sensível e solidário.
Intenso em seu trabalho e em sua vida.
Um ator que passa a mensagem só com sua expressão, seu olhar.
Assim seus amigos e colegas o definem.

Devido a minha admiração pela carreira de Johhny Depp quando eu vi essa biografia a venda não pensei duas vezes em comprá-la e logo que chegou quis começar a ler. Acompanho a carreira e sei muito pouco de sua vida pessoal. Quem namorou, com quem casou, que teve dois filhos e depois de anos se separou da mãe de seus filhos. Essas são coisas que a mídia adora e publica.

Mas quem é Johnny Depp hoje?
Quem foi Johnny Depp antes da fama?
Como foi sua infância?
Como ele lidou e lida com sua carreira?

São questões pouco faladas na imprensa. E esse livro, essa biografia, tenta nos mostrar um pouco mais do lado humano de Johnny. Vale dizer que a biografia não é autorizada, lembrem-se, Johhny é reservado. Tímido, não sabe como lidar com os fãs que o param nas ruas e nem com jornalistas, principalmente paparazzis. A pouco tempo vi uma entrevista de divulgação de seu novo filme "O Cavaleiro Solitário" e a repórter comenta que por duas vezes ele foi eleito pela revista People como o homem mais sexy do mundo, a primeira coisa que ele disse foi "Não...de manhã ao acordar não me sinto nada sexy", e sorriu baixando os olhos.

Estou aqui desfiando minha admiração por Johnny Depp mas o que interessa nessa resenha é o livro.

O autor é um jornalista que certamente teve acesso a inúmeras reportagens e artigos de revistas e jornais sobre o ator para criar um acervo bem extenso de tudo que foi publicado na mídia em todos esses anos de carreira de Johnny. Sua narrativa é baseada nesses artigos e em depoimentos de amigos e colegas de profissão de Johnny. Ele faz um paralelo de seu avanço na carreira de ator e sua vida pessoal. Ligando os fatos que apareciam na mídia e assim procurando chegar a uma interpretação do que estava acontecendo com ele pessoal e profissionalmente em determinado período.

Achei a pesquisa do autor rica e objetiva com paralelos bem delineados nos fazendo até acreditar que os sentimentos de Johnny em alguns momentos foram os que realmente o autor descreveu. Mas claro, fica sempre a dúvida se tudo para o ator foi dessa maneira, se as coisas que ele sentia e passava eram de fato da forma declarada pelo autor, já que a biografia não foi acompanhada por Johhny Depp. Mas em nenhum momento o autor coloca os dados pessoais como um fato, deixando bem claro que são depoimentos de amigos e colegas, e também do que foi divulgado na mídia mostrando em que programa ou revista Johnny fez determinada declaração e fazendo uma interpretação pessoal.

Não achei uma leitura massante, muito pelo contrário, achei uma leitura muito agradável. Já li outras biografias que achei cansativa, falando muito dos trabalhos do artista, ficando uma coisa meio didática. A escrita desse autor não me deu essa impressão, na verdade me senti conversando com ele sobre Johnny Depp. Infelizmente o próprio Johnny não estava conosco na prosa.

Achei uma leitura válida e indico não só para quem é fã do ator ou para quem apenas curte seu trabalho, como para quem quer saber um pouco mais como é cruel a indústria de cinema em Hollywood.

É um livro que eu vou reler, com certeza.



Quotes:

"E por algum motivo", relembra Depp, "comecei a gritar 'Vai se foder!' para ele. Não sei por quê, pois eu o idolatrava." Iggy Pop se aproximou de Depp, que achou que seu ídolo iria lhe acertar a cara. Mas, em vez disso, a lenda do rock se contentou em meramente chamar Depp de "merdinha" e se afastar. Dizem que nunca se deve conhecer seus heróis, pois eles apenas nos desapontarão". (Pag. 30)

"Depp enfatiza com veemência que não era um 'bad boy, um delinquente ou um rebelde'. Prefere considerar seu comportamento adolescente como o de alguém cheio de curiosidade: "Eu não era um cara maldoso que tinha vontade de chutar uma velhinha na canela e sair correndo, sabe? Eu só queria descobrir o que existia por aí.'" (Pag 31)

"Na parede de sua casa havia insetos mortos em molduras. 'Os insetos', afirmou Depp, 'são muito misteriosos. Não sabemos como ou o que eles são. Eles simplesmente são'. Também comprou um galo de fibra de vidro com quase cinco metros de altura. 'Sempre achei bacana dizer que eu tenho o maior pinto de Los Angeles', disse. (pag 113)

"Então ele namora a mulher mais linda do mundo, então ele detona de vez em quando uma suíte de hotel...lide com isso.' No mesmo artigo, Depp novamente reclamou da sorte. Também alegou que o Mark Hotel se beneficiou da história. 'É bom para eles', diz Depp. 'Agora eles podem dizer que têm um pouco de história, essa parcelinha mínima de história. Podem dizer: 'Aqui Johnny Depp foi preso.'". (Pag. 141)


Sobre o autor:


DANNY WHITE é jornalista, blogueiro e escritor. Publicou diversas biografias de celebridades, entre outros livros sobre as mais diferentes temáticas. Seu trabalho foi traduzido para mais de dez linguas.

sábado, 14 de setembro de 2013

Resenha - O oceano no fim do caminho

Livro: O oceano no fim do caminho
Autor: Neil Gaiman
Editora: Intrínseca

Sinopse da Editora: Foi há quarenta anos, agora ele lembra muito bem. Quando os tempos ficaram difíceis e os pais decidiram que o quarto do alto da escada, que antes era dele, passaria a receber hóspedes. Ele só tinha sete anos. Um dos inquilinos foi o minerador de opala. O homem que certa noite roubou o carro da família e, ali dentro, parado num caminho deserto, cometeu o suicídio. O homem cujo ato desesperado despertou forças que jamais deveriam ter sido perturbadas. Forças que não são deste mundo. Um horror primordial, sem controle, que foi libertado e passou a tomar os sonhos e a realidade das pessoas, inclusive os do menino. Ele sabia que os adultos não conseguiriam - e não deveriam - compreender os eventos que se desdobravam tão perto de casa. Sua família, ingenuamente envolvida e usada na batalha, estava em perigo, e somente o menino era capaz de perceber isso. A responsabilidade inescapável de defender seus entes queridos fez com que ele recorresse à única salvação possível: as três mulheres que moravam no fim do caminho. O lugar onde ele viu seu primeiro oceano.


Eu participo de vários grupos relacionados a livros no Facebook, e um desses grupos propôs que escolhêssemos um livro para lermos juntos e comentarmos durante a leitura. Entre vários livros que eu já havia lido, outros que não tinha interesse em ler, estava “O oceano no fim do caminho”, o nome me chamou atenção e votei nele que no final acabou sendo o escolhido. Vale dizer que não gosto de ler sinopse de livros, até quando pego um livro e penso em comprar ou não, dou apenas uma olhada no que é dito na contracapa. Normalmente prefiro ler sem saber nada do que me espera, isso as vezes faz com que me arrependa da leitura, ou não.
No caso de “O oceano no fim do caminho” eu não me arrependi. Apesar de ser uma história fantástica, com seres e fatos irreais a leitura flui e nos leva a querer saber quais são os mistérios que as envolve e como vão fazer para resolver todos os problemas.

A narrativa é em primeira pessoa. Um homem de 47 anos retorna ao lugar onde passou sua infância e começo da adolescência. Nesse retorno ele relembra seu passado. Lembra dos tempos difíceis quando os pais decidiram alugar um quarto da casa em que moravam e alugam justamente o quarto que era dele, o quarto que ficava no alto da escada e que tinha uma pequena pia amarela que era exatamente do seu tamanho e instalada especialmente para ele. Ele tinha apenas sete anos. O primeiro inquilino foi um minerador de opala, um homem misterioso que um dia rouba o carro da família, e dentro dele, no meio de um caminho deserto comete o suicídio. Esse fato pontua o início de situações estranhas nas redondezas fazendo com que os sonhos das pessoas se tornassem realidade. Porém, os seres que surgem de algum lugar para satisfazer as pessoas não são deste mundo e acabam descontrolando tudo e a todos, ameaçando o mundo real em que as pessoas vivem, inclusive colocando em risco a vida do menino e de sua melhor amiga, uma menina que vive em uma fazenda bem no fim do caminho, no meio do nada e onde ela tem o seu próprio oceano no fundo do quintal.

“_ É um oceano de verdade? – perguntei.
_ Ah, é sim – respondeu ela.”

O menino é a chave entre os dois mundos e se vê diante da responsabilidade de defender sua família e amigos, e até mesmo o mundo em que vive. Para isso tem que enfrentar situações bizarras e recebe a ajuda de três mulheres, incluindo sua melhor amiga. Quem são essas mulheres e como elas fazem para ajudá-lo está descrito em sua narrativa e nos faz pensar se é real o que o homem viveu aos sete anos de idade, ou foi tudo fruto de sua imaginação infantil.

Os personagens da história não são totalmente desenvolvidos, mas eu acredito que isso faça parte do suspense do autor para com a história. Uma maneira de fazer com que fiquemos na dúvida de quem é real ou não.
Alguns pontos ficaram em suspenso, sem explicação, mas nada que tenha atrapalhado o desenvolver e finalização. Talvez o autor não tenha esclarecido justamente por não ter influência na história e também para, mais uma vez, nos deixar na dúvida de quem é, o que foi e onde estava.
Não foi um livro que eu tenha me arrependido de ler, como eu disse a leitura flui e é bem rápido já que o livro tem um pouco mais de 200 páginas. Não vai entrar na minha lista de livros preferidos, inesquecíveis, mas se a pessoa pretende ler um livro leve e sem pretensões antes ou depois de outro livro mais denso, eu recomendo esse.

Quotes: 

“Esse é um problema com as coisas vivas. Não duram muito. Gatinhos num dia, gatos velhos no outro. E depois ficam só lembranças. E as lembranças desvanecem e se confundem, viram borrões.”
(pág. 35 e-book)

“Ninguém realmente se parece por fora com o que é de fato por dentro. Nem você. Nem eu. As pessoas são muito mais complicadas que isso. É assim com todo mundo.”
(pág. 86 e-book)

“Vou dizer uma coisa importante para você. Os adultos também não se parecem com adultos por dentro. Por fora, são grandes e desatenciosos e sempre sabem o que estão fazendo. Por dentro, eles se parecem com o que sempre foram. Com o que eram quando tinham a sua idade. A verdade é que não existem adultos. Nenhum no mundo inteirinho.”
(pág. 87 e-book)

Sobre o Autor:


Neil Richard Gaiman, nasceu em Portchester em 10 de novembro de 1960. É um autor de romances e quadrinhos inglês. Atualmente vive em Minneapolis-EUA.
Sua criação quadrinística mais conhecida é “Sandman”, que tem como personagens principais Sandman, a personificação antropomórfica do Sonho, também é conhecido como Morpheus, numa referência à mitologia grega e seus irmãos, Morte, Destino, Delírio, Desejo, Desespero e Destruição.



As principais obras do autor já lançadas no Brasil são:

O livro do cemitério – 2010
Lugar nenhum – 2010
Deuses americanos – 3ª edição - 2011
Os filhos de Anansi – 2012

domingo, 1 de setembro de 2013

Resenha - Garota exemplar


Livro: Garota Exemplar
Autor: Gillian Flynn
Editora: Intrínseca                                                                                                                                                                                                                                               
Sinopse da Livraria: Na manhã do quinto aniversário de casamento, Amy desaparece da nova casa, às margens do Rio Mississípi. Tudo indica se tratar de um sequestro, e Nick imediatamente chama a polícia, mas logo as suspeitas recaem sobre ele. Exibindo uma estranha calma e contando uma história bem diferente da relatada por Amy em seu diário, ele parece cada dia mais culpado, embora continue e alegar inocência. À medida que as revelações sobre o caso se desenrolam, porém, fica claro que a verdade não é o forte do casal.

"Você precisa decidir o que quer. Infelizmente para Amy eu já decidira."

O que falar de Garota Exemplar? Uma coisa é certa, não é possível ficar imune à ele. No meu caso, primeiro achei muito chato, a primeira metade do livro começa a ficar repetitiva e acaba ficando monótono. Se não fosse pela curiosidade de descobrir o que aconteceu com Amy a vontade de largar o livro é grande. Mas exatamente na metade do livro a autora vira a história de cabeça para baixo me fazendo dar um pulo: "como assim?" A história dá uma reviravolta me prendendo novamente à atenção. Mas acho que a segunda metade também se estende além do necessário e quando você pensa que vai ficar repetitivo de novo, uma outra mexida te atrai novamente. Ele mexe com os sentimentos, e confesso que no final fiquei com um pouco de raiva...de que, acho melhor não dizer, quem já leu talvez me entenda.

O livro tem dois narradores, Nick, que conta o que está acontecendo no momento em que a história está acontecendo e Amy, que através do seu diário conta a história desde o momento em que conheceu Nick até o dia do quinta aniversário de casamento, quando ela desaparece misteriosamente. A narração intercalada mostra a cada momento a visão de um dos personagens.


"Ele prometeu tomar conta de mim, e ainda assim sinto medo. Sinto que algo está errado, muito errado, e que ficará ainda pior. (...) Não me sinto mais real. Sinto como se pudesse desaparecer."


A história gira em torno do desaparecimento de Amy, outros personagens vão se agregando a história: os insuportáveis pais da protagonista, a irmã gêmea de Nick, os policiais que investigam a história e antigos conhecidos de Amy que dão uma apimentada na história nos deixando com a pulga atrás da orelha.

"....amigos em Nova York. Amy fazia e desfazia-se deles semanalmente..."


Não se pode negar que a autora, apesar de algumas vezes deixar o texto ficar um pouco monótono e repetitivo, tem grande habilidade na sua escrita. O livro tem um quê de romance policial e terror psicológico, e a autora, principalmente na segunda metade do livro, consegue nos levar de lá para cá e de cá para lá com habilidade. A todo momento nossa opinião sobre os protagonistas mudam e fica a pergunta, afinal quem são Nick e Amy. E a conclusão a que chegamos é que não conhecemos quem está do nosso lado, que o parceiro ao nosso lado pode ter um monstro dentro de si que desconhecemos.

"Dizem que o amor deve ser incondicional. Essa é a regra, todos acreditam. Mas se o amor não tem fronteiras, não tem limites, não tem condições, porque a pessoa deveria fazer a coisa certa?"



Sobre o autor:

Gillian Flynn, escritora americana, nasceu no estado de Missouri em 1971. Jornalista, também trabalhou como crítica de cinema e tv.


Livros publicados no Brasil:



  • Na Própria Carne
  • Garota Exemplar