segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Mamãe, quero ser escritor!

MAMÃE, QUERO SER ESCRITOR!

Por Ezequiel Alves Santos

Eu tenho notado que algumas pessoas além de leitores também são escritores ou aspirante a escritores. Isso é comum. Não são poucos os leitores que um dia querem ser publicados, é algo natural, e os editores que o digam. Mas como tudo que é BOM na vida, ser escritor não é algo fácil, eu estou no mercado há 13 anos, tenho aproximadamente 70 originais e já tenho algumas experiências que podem ajudar vocês e vou compartilhá-las aqui, para que todos os que desejem um dia serem publicados possam se beneficiar.
Vamos lá:

1- Antes de mais nada vocês devem ter uma ideia de como funciona o mercado literário no Brasil.

Existem 3 formas de serem publicados nos dias atuais, são elas:

A - Por uma editora comercial.
B - Por uma prestadora de serviços ou gráfica (de maneira independente)
C - Por uma livraria com projetos virtuais (Saraiva) ou sites específicos (Amazon)

Método A: Editora comercial

Quando você procura uma editora comercial como a Rocco, a Leya ou a Record, tem que estar ciente das seguintes condições:

Antes de mais nada, uma editora comercial que se prese JAMAIS aceitará ler seu original se ele não estiver registrado na Biblioteca Nacional. Se você não tiver TODOS os direitos autorais da obra, a editora vai descartá-la imediatamente. Mas por quê? Porque isso gera muita,mas MUITA dor de cabeça.
Uma vez que você não registrou sua obra, qualquer um pode fazer isso no seu lugar, até mesmo uma pessoa da própria editora. Ela poderá registrar no nome dela e dizer que ela teve a ideia e você ficará chupando dedo, já que não tem nenhum documentos que comprove que a ideia foi sua. Até você recorrer a justiça e apresentar algumas provas gera um processo que pode levar anos e as chances de você ganhar são muito baixas. Por este motivo editoras como a ROCCO, NÃO ACEITAM livros não registrados na BN. Lembre-se que NÃO ADIANTA registrar em cartório de letras você não irá obter os direitos autorais, tem que ser na Biblioteca Nacional.

Eis o site da BN: Biblioteca Nacional

Vale lembrar que editoras como a Record não exigem que o original esteja registrado na BN, mas pensem comigo: meses ou anos de trabalho para arriscar? Você teria coragem? Eu não.

Editoras comercias são aquelas que vão pegar seu livro e lançar nas editoras. Então significa que é só terminar de escrever, registrar e já era? SONHO MEU, SONHO MEU. NUNCA! A editora JAMAIS vai fazer grandes banners e cartazes de seus livros e espalhar por ai, as chances são muito remotas, geralmente eles só fazem isso com livros INTERNACIONAIS. Só o fato de uma editora ter se interessado em publicar seu livro já é lucro.


Pessoas como J.K.Rowlling tiveram de 8 a 12 NÃOs para enfim conseguir publicar Harry Potter, e o original ainda foi tirado da lata do lixo por uma assistente do editor que insistiu que ele desse uma "melhor olhada no livro" do contrário não teríamos Harry Potter até hoje. Fomos salvos por uma assistente. Que coisa não?

Se você pensa que vai acontecer que nem na história "Um best-seller para chamar de meu" de Marian Keyes, onde um escritor novato consegue fechar um contrato com uma editora por mais de 1 MILHÃO logo de cara, é melhor rever seus conceitos. Voltando para a J.K.Rowlling, ela conseguiu 4 mil libras pelos direitos do primeiro Harry, isso não dá pra comprar nem uma casa. Não se fecha contratos milionários com naturalidade, é muito difícil. Claro que o autor mais bem pago de 2012, não vou nem citar o nome que só de pensar no valor me dá coceira, conseguiu em um ano 94 milhões de dólares, mas sabe quantos livros ele publicou para isso em um ano? 14! ISSO MESMO 14 LIVROS.

Isso quer dizer que você jamais vai alcançar seu sonho? NÃO! Se Deus estiver dirigindo seus planos tudo é possível, mas temos que nos manter sempre perseverantes e com os pés no chão. É possível ir para o cinema um dia? Sim, mas é uma longa caminhada.

Outra coisa, uma editora comercial, ao fechar um contrato com você (a Record anuncia que uma aprovação com ela leva até 2 anos) compra seus direitos autorais por um valor. Isso significa que em cima de toda a venda de livros você irá ganhar uma porcentagem; Legal, e de quanto? Geralmente de 8 a 10% é seu, o demais vai para editora.


O QUE?!

Isso mesmo, você recebe o dízimo das vendas e a editora fica com o restante. É por isso que muitos escritores demoraram cerca de 6 anos para começar a ganhar alguma coisa que pudessem chamar de "salário".


Isso quer dizer que se você fechar um contrato GORDO e seu livro custar R$30,00 você vai receber míseros R$3,00 por venda. Isso não é legal, não é mesmo? Voltando ao exemplo da Rowlling, quando ela conseguiu finalmente publicar Harry Potter a editora lhe deu o seguinte conselho; "arrume um emprego". E ela virou professora de inglês.
É muito difícil conseguir ter uma vida sendo escritor, principalmente no Brasil, onde a literatura nacional não é valorizada pelo público atual.
Outro ponto negativo de ser publicado por uma editora é que no momento em que você assinou o contrato você vendeu sua alma para ela. Como assim?
Sabe o nome do protagonista que você passou semanas para decidir? Pois bem, se a editora achar melhor que o nome dele seja Joãozinho, ele será.
Sabe o título que toda a sua família achou incrível? Se a editora não curtir eles vão mudar.
E aquela cena do beijo do mocinho com a mocinha que você chorou de emoção enquanto escrevia?
Se a editora não gostar eles vão tirar.

A editora tem o poder de decidir como será a capa, quantidade de páginas, nome dos personagens, do livro, TUDO, absolutamente TUDO. Qualquer coisa que eles quiserem mudar eles vão mudar, e você só será avisado e nada mais. Claro que eles dão aquela desculpa de que você é o cara(a garota) das ideias e eles são os que sabem fazer livros venderem, mas de certa forma você aprende muito com sua editora no processo de edição do seu livro.

Pense comigo: EDITORA > EDIÇÃO. Eles editam seu livro, é um fato.

Eu mesmo já tive trâmites com a Martins Fontes e desisti deles depois de conversar com um dos editores. Eles queriam meu original mesmo sabendo que eu não tinha os direitos autorais. Eu ainda tinha nove, dez anos, iriam passar a perna em mim rapidinho. O que uma criança pode fazer contra uma editora poderosa? Nada não é mesmo?

Método B - Prestadora de serviços

Tudo bem, tudo bem, já vi que editora é um porre. Não quero ir para uma editora, quero uma prestadora de serviços, como funciona?
Querem um conselho? Editora é melhor. Por mais que eles sejam meio tiranos, gostem de te dar mil nãos e depois se arrependem quando vêem você dando autógrafos na Bienal, eles te ensinam MUITO. MUITO MESMO!

Mas para aqueles que preferem uma prestadora de serviços; vou ser breve:

PRÓS:

Uma prestadora de serviço publica um livro da maneira como VOCÊ QUISER.
VOCÊ escolhe a capa, quantidade de páginas, material, TUDO. Se você quiser colocar aquela foto sua só de fralda no churrasco no sítio do seu tio na capa você pode.
A prestadora vai fazer do jeito que VOCÊ mandar. Você é o patrão. Até mesmo a quantidade de exemplares (que com a editora geralmente, inicialmente, é pequena tiragem, o que quer dizer mil cópias) você é quem decide.

CONTRAS:

Não tem selo. Ou seja, não existe aquela marquinha que diz se é da Rocco, se é da Nova Conceito, se é da raio que o parta. Simplesmente tem seu nome e nome do livro e nada mais. O que desvaloriza muito seu trabalho, por incrível que pareça.
Segundo. Você paga!
Diferente da editora, onde eles arcam com todo o custo, com a prestadora de serviços você vai pagar livro por livro. Ou seja, se você pediu 100 cópias, você vai pagar as malditas das 100 cópias.
O pior de tudo. VOCÊ SE VIRA PRA VENDER!
Ainda que com uma editora você tenha que divulgar seu trabalho, e não deixar tudo nas costas da editora, com a prestadora de serviços eles te entregam um carrinho de mão com todos os livros que VOCÊ pagou e depois você vai pra feira vender livros! Legal né? Nenhum pouco. Por isso eu prefiro as editoras.

Método C - Por uma livraria com projetos virtuais (Saraiva) ou sites específicos (Amazon)

A Saraiva e a Amazon são exemplos de empresas visionárias que sabem o que querem e estão com projetos semelhantes de vendas de e-book. É claro que sua editora pode fazer isso também, mas se você não quer procurar uma editora pode ingressar em um desses projetos.

Tendo sua obra registrada na BN (não obrigatoriamente, novamente o risco) você pode enviá-la para a Saraiva ou Amazon segundo os termos do contrato. O processo será exatamente o mesmo da editora, mas seu livro não sairá impresso, mas sim em e-book no site da vendedora e você ganha em cima da quantidade de e-books vendidos.

Eu, particularmente, prefiro editora ainda assim, muitas dessas de Saraiva e Amazon não permitem que você procure uma editora após fechar o contrato de e-book. Ao menos que o contrato permita isso. Já as editoras sempre acabam mandando para eles fazerem e-book de seus livros se estes começarem a apresentar um futuro promissor. E você sempre ganha em cima dos direitos autorais (por isso a importância do registro na BN).

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Agora que vocês já sabem como é o processo de publicação, vamos voltar um pouco no tempo para o processo de escrita.

Antes de mais nada é necessário saber o público alvo.

Muitas pessoas dizem: "Eu escrevo para pessoas de todas as idades", ou "de 8 a 80 anos". Se você me aparece em uma editora com essa ideia sabe o que acontece né?

Harry Potter mergulhando de cabeça na lixeira.

Vou dar um exemplo que minha professora de moda do SENAC me falou e serve para qualquer mercado, tanto dos games, fashion, música, cinema.

VOCÊ TEM QUE TER UM ALVO NA VIDA!

É verdade que quando você desenvolve uma coleção pode ser feita pensando nas mulheres de 30 anos, independentes e elegantes, mas o que impede que uma mulher de 50 entre em sua loja e compre o vestido? NADA! Mas ainda assim tem que ser uma coisa organizada.

Você tem que definir seu público-alvo antes de começar a escrever, pois isso vai determinar o seguimento de sua história e a forma da escrita.

Ex: Você diz que seu público é infanto-juvenil, adolescentes de até 15 anos, mas escreve usando linguagem difícil e cenas eróticas ou de mutilação, repleto de palavrões e humor negro. Sabe o que vai acontecer com sua reputação, não é mesmo? Além disso a editora nunca vai te levar a sério se você não mostrar que entende do assunto.

Se o seu público-alvo são advogados, você vai escrever livros de direito usando exemplos de fábulas de Esopo? Hã?

O problema de muitas pessoas não saírem do lugar é querer abraçar o mundo de uma vez só, querer percorrer todos os caminhos em uma só tacada. Ninguém é bola de sinuca pra acertar todos os alvos de uma vez só e ainda que fosse no final você cai no buraco, certo?

Defina um alvo e corra atrás dele e quando atingi-lo defina outro, e outro, e outro.

Novamente vamos pegar a pobre da J.K. que já deve estar com a orelha vermelha de tanto falarmos nela.

Ela deu um público-alvo para Harry Potter, infanto-juvenil, e também de um para Morte Súbita, adulto. Ela sabia que seriam 7 livros e sabia o tempo que demorariam para chegar nas mãos dos leitores, por isso Harry amadureceu, ela sabia que seu público amadureceria esperando o segundo e o terceiro livro e se ela não acompanhasse o ritmo perderia fãs, que ficariam entediados com o mesmo ritmo que a história teria. Ou alguém aqui ainda gosta de Cocoricó? Acho que poucos.

Uma das coisas mais elogiadas em Harry Potter é que a história cresce junto com seus leitores.

Ela escolheu um público: infanto-juvenil, só ganhou prêmios NAQUELA categoria. Mas pergunto, isso impediu pessoas mais velhas de lerem seus livros, gostarem, comprarem e virarem fãs? NÃO! DE MANEIRA ALGUMA!

Primeiro passo de um escritor: DEFINA SEU PÚBLICO ALVO.

Vou apresentar a todos um site muito bom com dicas maravilhosas para quem quer escrever ficção:

Dicas para escrever melhor histórias

Esse site é o melhor. Deixem nos favoritos e por favor, a todos que querem ser escritores. LEIAM!

Todos os escritores precisam de outros escritores, se o Brasil tiver bons escritores vamos supervalorizar nosso mercado e mudar esse quadro horrendo que paira sobre nossas cabeças. Conto com vocês para ótimos livros. Até porque eu quero gastar meu dinheiro com os livros que vocês escreverem e quero mostrar para meus filhos que nosso país não está condenado ao fracasso literário.
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A matéria ficou enorme, eu sei, mas ainda não falei nem a metade do que sei. Mas para encerrar por hoje vou dar alguns conselhos primordiais para todo jovem escritor:

1º - Não desista. É uma longa jornada e se você ficar olhando para as dificuldades NUNCA vai alcançar o alvo.

2º - Muitos editores vão dizer que você não é capaz, que jamais será um novo Harry Potter e que nunca vai ser rico ou famoso nem nada do gênero. Tape bem seus ouvidos, pois Deus disse que escolheu as coisas loucas do mundo para confundir os sábios. Quem sabe uma dessas coisas loucas não é você?

3º - LEIA MUITO, MAS MUITO MESMO. Mas não leia apenas livros de história. Eu gasto horrores com livros de português, gramática, redação, filosofia, sociologia, psicologia e história. Até matemática as vezes rola, dependendo se meu personagem é inteligente e sabe fazer cálculos. Leia romances, leia artigos, assine uma revista, leia jornal, assista jornais (sabia que Suzanne Collins teve a ideia para Jogos Vorazes assistindo um realitty show e depois um jornal da record da vida?). Leia livros difíceis, leia coisas complexas, leia livros de administração, de direito, leia, leia e leia. Se você apenas ler o que todo mundo lê só vai escrever o que todo mundo escreve.

4º - Tenha um beta. Beta é o nome dado, no ramo literário, para aquela pessoa que lê seu livro antes de todo mundo. Ela tem que ser única, você não pode ter dois betas, ela tem que amar ler, amar português, saber escrever, e acima de tudo, tem que ser crítica, chata e nojenta. Tem que botar defeito em tudo. Um beta inteligente é aquela pessoa que vai te dar um norte, te estimular a continuar escrevendo e te dar conselhos importantes sobre TUDO o que você escreveu ou pode escrever. Será seu editor fora da editora.

5º - Não mostre seu original para pessoas que não conhece se não estiver registrado na BN.
Eu sei que a gente, quando escreve algo legal, tem dúvidas e quer sair mostrando pra todo mundo pra ver se o povo gosta. Isso tem nome: inocência. Sedes puros como uma pomba, mas prudentes como uma serpente. Se você sai espalhando seu original por aí alguém pode roubar sua ideia, e se a pessoa tiver contato ou trabalhar em uma editora você está ferrado! Lembre-se o que falei sobre registro na BN. Ou você quer ser acusado de plágio por uma coisa que você escreveu?

FINAL

Após terminar seu livro e registrar na BN você pode fazer o seguinte para publicá-lo:

Mesa do editor

O Mesa de Editor funciona como um Curriculum.com. Ele vai categorizar seu livro e filtrá-lo para que editoras ou agentes literários (são aqueles que correm atrás de editoras por você) possam ter acesso ao mesmo com maior velocidade. Assim você não tem que ficar mandado seu original para várias editoras e ficar levando NÃO durante anos. Eles buscam pelos livros e vão atrás de você se o seu os interessar.

Um conselho bacana também é você assinar por R$100,00 por ano a hospedagem do seu livro nesse site, ele tem acesso a editoras do mundo inteiro (mais de 13.900 editoras e 2.300 agentes literários) em mais de 150 países. Se você souber inglês pode publicá-lo em inglês também. Se no Brasil ninguém curtir seu livro lá fora podem curtir, vai que a mesma editora da J.K.Rowlling te manda um email bem emocionante? Agora se você não tiver inglês e já tiver registro na BN pode pedir para aquele seu amigo crânio em inglês ou até mesmo uma prestadora de serviços fazer a tradução para você (pelo amor de Deus, não confie em tradutores de internet).

E seja feliz.

Sonhar não é errado, o errado é esperar que seus sonhos se realizem sozinhos.

Lembrem-se que "A FÉ SEM OBRAS É MORTA".

Espero ter ajudado.




Nome: Ezequiel Alves
Idade: 20 anos

Nascido no dia 21 de dezembro de 1992, o jovem baiano criado na cidade de São Paulo é viciado em livros e aspirante a escritor.
Seu primeiro manuscrito de ficção foi concluído aos 7 anos de idade.
Atualmente vive com a mãe e possui aproximadamente 70 originais, estando em andamento sua primeira série a ser publicada com 4 volumes. Uma série distópica chamada: "Online".



Um comentário:

  1. Ótima matéria do Ezequiel. Muito boas as dicas para quem sonha com a carreira de escritor!!

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