quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Resenha: O Iluminado (Stephen King)


Livro: O iluminado
Autor: Stephen King
Editora: Ponto de leitura


O ILUMINADO é o terceiro livro escrito por Stephen King. Originalmente lançado em 1977 e até hoje republicado. Esse foi o romance que lançou King no rol dos grandes escritores e marca o início de sua carreira de sucesso e o título de mestre do terror.


Eu já havia lido esse livro em mil novecentos e não importa quanto, mas resolvi re(ler) agora e porque não escolher justamente o mês das bruxas, outubro, para re(viver) essa história e assim me preparar para novembro, quando vai ser lançada a sequência: Doutor Sono. Já adquiri na pré-venda e muito em breve voltarei com a resenha dele.

Eu escrevo re(ler) e re(viver) porque podemos ler 10 vezes, ou mais, e sempre será como uma primeira vez. O tempo passa, a vida muda, e lemos e sentimos de acordo com o momento atual. Portanto, não me surpreende esse livro ser relançado e manter o sucesso de sempre. É uma das poucas histórias atemporais e que sempre vai valer a pena reler ou para os jovens e novos-jovens, ler pela primeira vez.

Assim como todas as obras de Stephen King, O Iluminado também é uma história de terror psicológico. Ele é mestre em nos apresentar a personagens humanos, tão humanos que são cheios de defeitos e qualidades, dúvidas, ressentimentos, medos diante dos segredos da vida e em busca de sua autoafirmação e autoconhecimento. Como mostra o autor em uma parte do livro, quando ele escreve:

“Certa vez, durante a fase de bebedeira, Wendy acusara-o de ter um desejo de autodestruição, sem possuir a fibra moral necessária para amadurecer um desejo de morte. Então, ele criara meios pelos quais outras pessoas pudessem destruí-lo, arrancando aos poucos pedaços de si mesmo e de sua família. Seria verdade? Temia, em seu íntimo, que o Overlook pudesse ser, exatamente, o que ele precisava para terminar o espetáculo. Estava se entregando? Por favor, meu Deus, não, não permita que seja assim. Por favor.” (Pág. 246)

Nesse livro temos Jack Torrance, um pai de família que luta para alcançar seus sonhos e, ao mesmo tempo, sustentar sua família composta por Wendy, sua esposa, uma típica esposa americana de classe média, que abriu mão de realizar-se pessoal e profissionalmente para viver para o marido e o filho, Danny. E que apesar de todas as dificuldades e, porque não dizer, maus tratos, é incapaz de deixar o marido porque acha que não teria como se sustentar. Wendy vem de uma família problemática, com uma mãe que em várias passagens do livro retorna a seus pensamentos a deixando angustiada já que mesmo tendo se afastado não consegue se livrar do “fantasma” de tudo que passou com ela. E conhecemos, Danny, um menininho de 6 anos de idade que tem um dom especial, ele “lê” pensamentos e pode ver imagens do passado, presente e futuro. Uma voz o persegue para lhe mostrar fatos que Danny desconhece, e Danny chama essa voz de Tony, que seus pais classificam como um amigo imaginário do filho. Mas para Danny, Tony é real apesar dele não conseguir ver nitidamente o “amigo”. Nos momentos que Danny chama por Tony, ou que Tony resolve aparecer para falar com Danny, o menino é transportado para uma outra dimensão e fica como se estivesse catatônico e, muitas vezes, sofre com convulsões. Mas, como vamos ver, Danny é o iluminado do título, ele tem um poder especial, e esse poder vai fazer com que forças do mal que estavam adormecidas, despertem e o queiram para que fiquem ainda mais fortes e poderosas. Essas ‘forças do mal’ residem no hotel em que a família vai morar por um longo inverno, o hotel que contrata Jack Torrance como zelador, depois dele ter sido demitido do emprego anterior de professor, com uma vida estável e aparentemente tranquila, após agredir cruelmente um aluno na saída da escola.

“Entraram juntos, deixando o vento gritar em tom baixo, pelo resto da noite – um som que acabariam por conhecer bem. Flocos de neve dançavam e giravam pela varanda. O Overlook enfrentava-a, como sempre o fizera por aproximadamente três quartos de século, as janelas escuras no momento forradas de neve, indiferente ao fato de que agora estava isolado do mundo. Ou possivelmente estava satisfeito com o quadro. Dentro de sua concha, os três viviam a rotina do anoitecer, como micróbios presos no intestino de um monstro.” (Pág. 282)

Jack, um alcoólatra que decide largar a bebida depois de agredir fisicamente seu filho – ele quebra o braço do menino, após um ataque de fúria. E desesperado, decide largar seus vícios e procurar um novo emprego e ao mesmo tempo poder se dedicar a escrever seu livro. Sim, Jack Torrance tem o desejo de ser um autor de sucesso. Nos deparamos agora com mais uma rotina nos livros de Stephen King. Geralmente, ele tem um personagem autorreferente. Stephen King, um ex-alcoólatra que lutava para sustentar sua família e com o sonho de ser um autor de sucesso. Notou a semelhança? Acredito que em sua vida deva ter aparecido muitos fantasmas, não como os descritos no livro, claro. E espero que ele não tenha chegado ao extremo de Jack, ao agredir seu próprio filho, para assim poder acordar e tentar seguir em frente em busca do seu sonho.

O livro começa com Jack sendo entrevistado para o emprego de zelador do Hotel Overlook. Um amigo dele conseguiu a entrevista, talvez o único amigo que lhe restou. O gerente não gostou de Jack mas não pôde deixar de aceitar a indicação e o contratou. O hotel não funciona durante o inverno, visto que é impossível alguém subir as montanhas, ou mesmo, descer, quando o inverno se torna mais rigoroso, devido à enorme quantidade de neve. Durante o inverno, o hotel Overlook fica isolado do mundo e o zelador deve manter o hotel “vivo”. Não pode deixar de regular as caldeiras, com o risco delas superaquecerem e explodir o hotel. Manter tudo limpo e arejado para que na primavera ele esteja imediatamente pronto para voltar a funcionar. Um trabalho fácil, sem esforço, e Jack e sua família imaginam que vão vier meses tranquilos. Jack, cuidando do pouco trabalho no hotel. Wendy descansando e cuidando do filho e do marido. E Danny que terá um lugar tranquilo e com muito espaço para brincar e gastar suas energias, e quem sabe se livrar de suas convulsões e ficar curado.

Bom... não é isso que o hotel Overlook reserva para eles. Sua intenção é outra, sua intenção é reunir mais força para que nunca deixe seu passado morrer, e Danny é o que eles precisam para conseguir isso. Como diz a sinopse na contracapa do livro: “Overlook é uma chaga aberta de ressentimento e desejo de vingança. O hotel é uma sentença de morte e quer Danny, pois precisa de seus poderes para chegar ao fim.”

Não espere passagens com fantasminhas sem cabeça e/ou desmembrados. Sim, alguns deles aparecem, mas, como sempre, não é esse tipo de terror trash que Stephen King nos propõe. O terror de King vai mexer com o nosso inconsciente, é um terror mais denso, profundo, um terror mental. Ele faz com que nos envolvamos na vida e temores nos seus personagens, que pensemos como eles, torcemos e lutemos com eles. Nossa mente estará junto com Jack, Wendy, Danny e qualquer outro personagem que aparece no livro. Não é à toa que Stephen King é considerado um mestre. Ele guia-nos como ninguém.

Quer viver uma grande aventura? Testar seus limites? Então não deixe de “visitar” o hotel Overlook junto com Danny e sua família. Aguardo você e suas impressões.

“Era um som vivo, mas não eram vozes, nem respiração. Um homem com uma tendência filosófica chamaria de som de almas. A avó de Dick Hallorann, que crescera nas estradas do Sul, anos antes da passagem do século, chamaria de assombração. Um médium teria um nome comprido para isso: eco mediúnico, psicognosia, telepatia. Mas para Danny isto era apenas o dom do hotel, o velho monstro, estalando e cada vez fechando mais o cerco em volta deles: corredores encolhendo em tempo e distância, sombras famintas, hóspedes inquietos que não descansavam em paz.” (Pág. 431)


Um pouco sobre o autor:



Stephen King era um leitor fanático dos quadrinhos EC's horror comics incluindo Tales from the crypt, que estimulou seu amor pelo terror. Na escola, ele escrevia histórias baseadas nos filmes que assistia e as copiava com a ajuda de seu irmão David. King as vendia aos amigos, mas seus professores desaprovaram e o forçaram a parar. 


Seus livros publicados no Brasil são:


1974 - Carrie, a Estranha (Carrie)
1975 - Salem (Salem's Lot)
1977 - O Iluminado (The Shining)
1978 - A Dança da Morte (The Stand)
1979 - A Zona Morta (The Dead Zone)
1980 - A Incendiária (Firestarter)
1981 - Cão Raivoso (Cujo)
1983 - Christine (Christine)
1983 - Cemitério Maldito (Pet Sematary)
1983 - A Hora do Lobisomem (Cycle of the Werewolf)
1984 - A Maldição (Thinner)
1984 - O Talismã (The Talisman, escrito com Peter Straub)
1986 - A Coisa (It)
1987 - Os Olhos do Dragão (The Eyes of the Dragon)
1987 - Angústia (Misery)
1987 - Os Estranhos (The Tommyknockers)
1989 - A Metade Negra (The Dark Half)
1990 - A Dança da Morte (expandida) (The Stand: The Complete & Uncut Edition)
1991 - Trocas Macabras (Needful Things)
1992 - Jogo Perigoso (Gerald's Game)
1992 - Eclipse Total (Dolores Claiborne)
1994 - Insônia (Insomnia)
1995 - Rose Madder (Rose Madder)
1996 - À Espera de um Milagre (The Green Mile)
1996 - Desespero (Desperation)
1998 - Saco de Ossos (Bag of bones)
1999 - A Tempestade do Século (Storm of the Century)
1999 - The Girl Who Loved Tom Gordon (não publicado no Brasil))
2000 - Riding the Bullet (não publicado no Brasil)
2001 - O Apanhador de Sonhos (Dreamcatcher)
2001 - A Casa Negra (Black House, escrito com Peter Straub)
2002 - Buick 8 (From a Buick 8)
2005 - O Rapaz do Colorado (The Colorado Kid)
2006 - Celular (Cell)
2006 - LOVE: A História de Lisey (Lisey’s Story)
2008 - Duma Key (Duma Key)
2009 - Sob a Redoma (Under The Dome)
2011 - Novembro de 63 (11/22/63 - A Novel)
2013 - Doutor Sono

Um comentário:

  1. Stephen King <3

    Tô muito afim de ler O cemitério.

    gotasdexp.blogspot.com

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