terça-feira, 11 de novembro de 2014

Resenha - EU SOU DEUS (Giorgio Faletti)

Livro: Eu sou Deus
Autor: Giorgio Faletti
Editora Intrinseca

Nesse segundo livro de Giorgio Faletti, cujo autor virei fã depois de ler seu primeiro livro (EU MATO) , nos vemos fazendo uma viagem entre passado e presente para que ele, o autor, possa nos apresentar todos os seus personagens e os introduza na história. Como no primeiro livro, Faletti usa muitos personagens e com muita calma e muita vontade vamos reconhecendo-os e os ligando ao seu enredo. Para quem ainda não leu suas histórias e/ou não conhece sua linguagem, encontra dificuldade com tanta minúcia na apresentação de seus heróis (?!). Nesse livro em particular, ele faz isso ainda com mais vontade e confesso que, mesmo já estando um pouco familiarizada com o autor, senti dificuldade em alguns momentos em reconhecer quem era o personagem principal. A história passa do presente para o passado várias vezes e em alguns momentos parei para reler alguma coisa ou fazer contas para ter uma ideia do tempo transcorrido entre um fato e outro. Mas toda essa ansiedade em querer saber quem é quem na história e “dar nomes” aos personagens é minha e eu lido bem com ela. Se você também lida muito bem com sua ansiedade em querer descobrir quem é o assassino e o seu motivo, então se joga nessa história e cuidado mais uma vez para não se apaixonar por algum personagem. Sim, Giorgio Faletti sempre inclui um personagem carismático e imperfeito que faz com que gostemos muito dele.
Nessa história, temos nessa linha, Russel Wade, um jornalista decadente, autodestrutivo e que vive assombrado por fantasmas do passado. Ele, junto com a detetive Vivien Light, vão em busca da solução para os enigmas que se postam diante deles.
Duas pessoas improváveis que se unem, sem querer, depois de um primeiro encontro onde cada um está de um lado da lei.
"Vivien se viu cercada pelo ar suave daquela tarde de primavera. Desceu os poucos degraus e teve, à direita, uma breve visão de Russel Wade e de seu advogado desaparecendo no interior de uma limusine com motorista. O carro se moveu, desfilando diante dela. O hóspede daquela noite no Plaza havia tirado os óculos, e seus olhos se cruzaram através da janela aberta. Vivien penetrou por um instante num par de olhos escuros e ficou espantada com a tremenda tristeza que encontrou dentro deles. Depois o carro seguiu em frente e aquele rosto desapareceu no trânsito, por trás do vidro elétrico. Por um instante, dois planetas que habitavam os confins da galáxia se tocaram, mas logo a distância foi restabelecida pela simples barreira de um vidro escuro." (Pág. 76)
Aos poucos, o autor, vai desvendando os personagens e seus mistérios e assim vai nos envolvendo por sua narrativa fazendo com que não tenhamos vontade de parar de ler até que tudo se encaixe perfeitamente, o que acontece. O autor vai costurando os fatos maravilhosamente bem e fecha muito bem a história.

Nesse livro o serial killer que mantém Nova York sob ameaça, não é um serial killer comum. Aparentemente não existe um modus operandi para suas ações levando a crer que talvez tenha mais de um assassino a solta. E isso pode ser verdade.

Tudo começa após a descoberta de um corpo que foi encontrado em uma obra. Um corpo emparedado há milhares de anos e com uma única foto que pode levar a detetive ao assassino. Uma cidade como Nova York que vive crescendo, com diversas construções todos os dias é o cenário para uma série de crimes de terror.  Os protagonistas dessa história tem que correr contra o tempo para desvendar os mistérios, ligar os fatos e pessoas e assim evitar que um simples botão acaba com a vida de milhares de inocentes.

Em meio a todo o caos, três pessoas são ligadas pelo assassino, cada uma a sua maneira. A detetive Vivien Light, por seu trabalho. Russel Wade por ter uma prova crucial em suas mãos e o padre Michael McKean, que acaba envolvido na história quando o assassino resolve se confessar e assim se livrar de seus pecados. O padre vive a partir desse momento um conflito entre seus votos como padre e seu dever como cidadão. Vidas dependem da decisão que o padre tomará, sendo sua decisão de guardar para si, e Deus, o que sabe ou até mesmo de contar para as autoridades tudo o que lhe foi revelado na privacidade de um confessionário.

Giorgio Faletti mais uma vez merece nota máxima por nos manter envolvidos com sua história e por nos fazer pensar e (re)avaliar conceitos.
"Li em algum lugar que, se o Sol se apagasse bruscamente, sua luz ainda chegaria à Terra por mais oito minutos antes de tudo mergulhar na escuridão e no frio do adeus." (Pág. 11)
"Depois, os gritos, a poeira dos carros que se abalroam, e as sirenes que avisam que para muitas pessoas atrás de mim os oito minutos chegaram ao fim.
Esse é o meu poder.

Esse é o meu dever.
Esse é o meu querer.
EU SOU DEUS."  (Pág. 12)
"Há dois lobos em cada um de nós. Um é o mau e vive de ódio, ciúme, inveja, ressentimento, falso orgulho, mentiras, egoísmo.
- E o outro?

- O outro é o lobo bom. Vive de paz, amor, esperança, generosidade, compaixão, humildade e fé.
- E qual dos dois vence?
- Aquele que você alimentar melhor."  (Pág. 73)
"Enquanto caminhava, percebeu que seu problema era o mesmo de todas as pessoas que se moviam naquela rua, naquela cidade e naquele mundo, com a presunção de que viviam e com a certeza de que iriam morrer. Infelizmente, não havia nenhum mundo alternativo, e nenhum deles, por mais que se enganasse com a ilusão de poder fazer o tempo durar mais um pouco, tinha na verdade tempos suficiente." (Pág. 85)

Sobre o autor: 

Giorgio Faletti, nascido em Asti, no Piemonte, em 1950, com formação em Direito, tornou-se cantor, compositor e comediante de televisão. EU MATO, seu primeiro livro, foi lançado em 2002, permaneceu mais de um ano nas listas dos mais vendidos na Itália e foi traduzido para 25 idiomas. Todos os seus títulos publicados são Best-sellers.  O autor faleceu em abril de 2014.

Títulos publicados no Brasil:

- Eu mato (2010)
- Eu sou Deus (2011)
- Memórias de um vendedor de mulheres (2012)

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